Homenagens

HOMENAGEM PRESERVAÇÃO

ANTÔNIO LEÃO
Pesquisador, colecionador, escritor

Antônio Leão 
Foto Arcevo Pessoal 

Homenageado da temática preservação para a 12ª CineOP, a  escolha de Antônio Leão, para além da incrível e generosa personalidade  que é, se inscreve, em certa medida, nesse desejo de pensar o patrimônio audiovisual de forma ampla, contemplando seus diferentes atores e construtores.

Antônio Leão é o maior dicionarista e enciclopedista cinematográfico e legítimo herdeiro da tradição que remonta ao Jurandyr Noronha. Sua obra é um monumento à preservação da informação cinematográfica brasileira, algo fundamental em um país que perdeu 40% de seus filmes. Além disso, seu trabalho de colecionador é inestimável, tendo sido responsável pela salvaguarda de importantes filmes tais como “Dominó Negro” (1949) e "Como Vencer na Vida... Fazendo Força” (1969). Hoje sua coleção encontra-se sob a guarda da Fundação Armando Alvares Penteado (FAAP) de São Paulo.

Sua produção editorial consiste em “Astros e estrelas do cinema brasileiro” (1998); “Dicionário de Filmes Brasileiros - Longa Metragem” (2002); “Dicionário de Filmes Brasileiros - Curta e Média Metragem” (2006); da “Coleção Aplauso Cinema Brasil”: Miguel Borges e Ary Fernandes (2016); e sua recente contribuição “Super-8 no Brasil: um sonho de cinema” (2017), realizado de forma independente.


HOMENAGEM HISTÓRICA

CRISTINA AMARAL
Produtora e montadora

Cristina Amaral
Foto: Laura Del Rey

A temática histórica da CineOP sempre prestou tributo aos diretores, atrizes e atores importantes na trajetória do cinema brasileiro. Este ano, no entanto, quebramos o padrão de maneira definitiva e homenagearemos uma profissional da montagem, Cristina Amaral - uma das principais montadoras do cinema brasileiro e uma de suas personalidades mais fortes.

Parceira de vida e trabalho de Carlos Reichenbach e Andrea Tonacci (de quem foi companheira), ela montou alguns dos maiores filmes brasileiros das últimas quatro décadas, como Alma Corsária, de Carlos Reichenbach (1993),A Voz e o Vazio: A Vez da Vassourinha, de Carlos Adriano (1998), Serras da Desordem, de Andrea Tonacci (2006) e O Homem que Não Dormia, de Edgar Navarro (2012). Ela também trabalhou com Lina Chamie, Raquel Gerber, Guilherme de Almeida Prado, Ricardo Elias, João Batista de Andrade, entre outros.

Tendo em vista a temática da 12ª CineOP, a função de montagem nos pareceu importante, porque é ela quem em conjunto com a direção ajuda a construir um ponto de vista, uma narrativa e organiza os sentidos dos filmes, com material inédito ou ressignificando imagens de arquivo.

Homenagear Cristina Amaral é uma honra à CineOP, pois ela representa com sua presença, sua fala e seu trabalho, o nosso melhor cinema, tanto na forma quanto no discurso ativo sobre o mundo. Se ela trabalhou com alguns se nossos cineastas mais radicais,  é porque ela também é uma radical no seu ofício e na vida.

 

HOMENAGEM EDUCAÇÃO

 VÍDEO NAS ALDEIAS

Vídeo nas Aldeias
Foto: Divulgação

O Projeto Vídeo nas Aldeias, homenageado nesta edição, é o resultado de uma pesquisa que completou 30 anos em 2016, idealizado e coordenado por Vincent Carelli, indigenista e documentarista. Carelli chegou ao Brasil com quatorze anos e desde então vem se dedicando com paixão e tenacidade às lutas dos povos indígenas.

O projeto teve início na ONG Centro de Trabalho Indigenista, como um primeiro experimento realizado entre Vincent e os índios Nambiquara. A exibição coletiva do material filmado entre os indígenas apareceu como um gesto mobilizador que passou então a ser replicado para outros grupos. Estas ações geraram uma série de atividades e oficinas que revelavam diferentes usos da tecnologia – na época, o vídeo – em relação à produção de imagens pelos indígenas. A primeira formação em audiovisual oficial aconteceu em 1997, na aldeia Xavante de Sangradouro. Essas oficinas se multiplicaram em centenas de outras, permitindo que povos indígenas iniciassem trocas culturais mediadas pelas imagens e suas representações. Ao mesmo tempo, o Vídeo nas Aldeias distribuía equipamentos de captação e exibição audiovisual, garantindo um trabalho autônomo aos indígenas. 

Nos anos 2000, o projeto conquista sua independência como uma ONG e hoje conta com um acervo de mais de 70 filmes premiados no país e no exterior tornando-se assim a principal referência em formação audiovisual para indígenas no Brasil e um dos mais fortes grupos em todo o continente latino-americano.