No centro dos debates, a preservação digital, olhares e identidades no cinema brasileiro sob a perspectiva histórica e o diálogo entre a educação e a produção audiovisual indígena

A 12ª CineOP – Mostra de Cinema de Ouro Preto, que acontece entre os dias 21 e 26 de junho, na cidade histórica mineira, eleita fórum privilegiado de discussões e encaminhamentos da preservação promove no âmbito de sua programação o 12º Seminário do Cinema Brasileiro: Fatos e Memória e sedia o Encontro Nacional de Arquivos e Acervos Audiovisuais Brasileiros, o Encontro da Educação: IX Fórum da Rede Kino – Rede Latino-Americana de Educação, Cinema e Audiovisual e os debates da temática histórica. O Seminário acontece nos auditórios do Centro de Artes e Convenções, um dos locais de realização do evento e as inscrições devem ser realizadas pelo site  até o dia 14 de junho. Vagas limitadas.

 O eixo temático em discussão é Emergências Digitais na Temátia Preservação; Quem conta a história? Olhares e identidades no cinema brasileiro na Temática História e Emergências Ameríndias na Temática Educação, considerando que um dos maiores problemas da sociedade brasileira é o acesso aos bens culturais por ela mesma produzidos. Coloca em evidência a necessidade de criar os instrumentos adequados para a prática das virtudes da arte cinematográfica e amplia o diálogo e a reflexão sobre preservação, história e educação aplicadas à produção audiovisual brasileira.

 Ao todo serão promovidos 20 debates com a participação de 90 convidados do audiovisual, acadêmicos, pesquisadores, historiadores, críticos de cinema e três convidados internacionais da Chile, Argentina e México, que vão colaborar com suas experiências, reflexões e propostas sobre as questões centrais das temáticas desta edição atraindo a participação de interessados e do público em geral.

 “Preservadores e educadores vêm buscando uma participação maior e mais ativa no que concerne ao diálogo com os pares, com a universidade, com a sociedade e com o Estado, e a CineOP se colocou desde o início como um espaço para a aproximação dos diferentes agentes e para o incentivo de um trabalho em comum, com vistas a uma mudança significativa nas duas áreas”, afirma a coordenadora do evento e diretora da Universo Produção, Raquel Hallak.

 ENCONTRO NACIONAL DE ARQUIVOS E ACERVOS AUDIOVISUAIS BRASILEIROS

 O 12º Encontro Nacional de Arquivos terá dois eixos de discussões - a preservação do patrimônio audiovisual digital sob a ótica das mudanças tecnológicas, oportunidades e desafios e a apresentação do Plano Nacional de Preservação Audiovisual. A proposta é colocar em pauta questões emergenciais sobre a preservação do conteúdo digital e as soluções encontradas para o gerenciamento da volumosa produção de conteúdo e os desafios para o desenvolvimento de repositórios para a conservação de documentos audiovisuais, além do depósito legal de obras financiadas com recursos públicos, e das estratégias de preservação de obras de produção independente num país em que estima-se que 40% das obras audiovisuais já tenha sido perdido.

 O Plano Nacional de Preservação também ganha destaque na programação da 12ª CineOP.  O documento

é fruto dos Encontros Nacionais de Arquivos e Acervos Audiovisuais, que ocorrem anualmente durante a CineOP. Participaram da elaboração do Plano os membros da ABPA – Associação Brasileira de Preservação Audiovisual (entidade fundada na 3ª CineOP – 2008)e preservadores audiovisuais de todo Brasil, com o propósito de trazer uma contribuição madura e diretrizes para o exercício e sobrevivência do setor. Nesta edição, serão promovidos  encontros, debates e diálogos com a participação de profissionais que integram a cadeia produtiva do audiovisual – uma oportunidade de ampliar vozes e ações em defesa do patrimônio audiovisual brasileiro, ao mesmo tempo, em que se pretende contribuir para a construção de uma política pública para o setor.

 O debate inaugural, que acontece na sexta, dia 23, terá como tema “Plano Nacional de Preservação”. Estarão reunidos, a professora Anita Leandro, da UFRJ; o professor UFsCar e membro do Conselho da Cinemateca Brasileira, Arthur Autran; o presidente da Associação Brasileira de Preservação Audiovisual (ABPA), Carlos Roberto de Souza; a secretária do Audiovisual, Mariana Ribas; e o pesquisador Ruy Gardnier; sob mediação da curadora Ines Aisengart Menezes.

 No sábado, 24 de junho, serão realizados os debates “Mudanças tecnológicas, oportunidade e desafios: preservação audiovisual digital” e “Mudanças tecnológicas, oportunidade e desafios: documentos correlatos e valorização de coleções”. O primeiro refletirá sobre as soluções encontradas para o gerenciamento da volumosa produção de conteúdo em âmbito de produtoras, dos desafios para o desenvolvimento de repositórios para a conservação de documentos audiovisuais, além do depósito legal de obras financiadas com recursos públicos e das estratégias de preservação de obras de produção independente. Já o segundo tratará do processo de preservação dos documentos que acompanham as diferentes etapas de produção e recepção das produções, como notas, storyboards, roteiros, releases de imprensa, entrevistas, fotografias, cartazes etc,peças fundamentais para a compreensão e contextualização das obras audiovisuais.

 A experiência internacional na área de preservação será compartilhada no domingo, 25 de junho, com a presença de Andrés Levinson, preservador audiovisual do Museo Del Cine de Buenos Aires, e Tzutzumatzin Soto, chefe do Departamento de Acervo Videográfico e Iconográfico da Cineteca Nacional do México. O tema do encontro será “Mudanças tecnológicas, oportunidades e desafios: a experiência latino-americana na preservação audiovisual”, e serão debatidas as vivências e iniciativas que vêm sendo realizadas por diferentes instituições do continente.

 Na segunda, 26 de junho, serão realizados os debates “Mudanças tecnológicas, oportunidades e desafios: midiativismo”, que convida a umareflexão sobre os desafios da produção e preservação das imagens em movimento produzidas por indivíduos e/ou coletivos neste âmbito; e “Mudanças tecnológicas, oportunidades e desafios: jogos eletrônicos, mídia-arte e cinema expandido”, que estende a definição de patrimônio audiovisual para outras mídias e práticas, muitas vezes de natureza híbrida e complexa.

 Dois debates reunirão as temáticas Preservação, História e Educação: “Quem conta a história? Olhares e identidades no cinema brasileiro”, na sexta, 23 de junho, com discussões sobre representação e representatividade; e “O passado e o presente: uma perspectiva história e política do olhar”, no domingo, 25 de junho, que discutirá os valores, costumes e perspectivas de um passado e suas ressignificações no tempo presente.

 A Temática Preservação contempla ainda a realização do workshop internacional “Os meios digitais e a preservação do patrimônio audiovisual – O projeto da cinemateca virtual do Chile”, que abordará o projeto pioneiro conduzido pela Cineteca Universidad de Chile de disponibilização em ambiente virtual de parte do patrimônio cinematográfico chileno. 

 ENCONTRO DA EDUCAÇÃO: IX FÓRUM DA REDE KINO

 Os debates que integram a programação do Encontro da Educação: IX Fórum da Educação têm diálogo com a temática “Emergências Ameríndias”e o propósito de oferecer um espaçopara diálogos sobre a criação de condições para a emergência de uma outra produção audiovisual e suas relações com o universo da educação, com especial foco na questão indígena.

 O debate “Imagens do Pensamento Selvagem”, na sexta, 23 de junho, abordará imagens e pensamentos não-domesticados, que não se subordinam às formas de vida hegemônicas. “Imagem e formação”, no dia 24 de junho, tratará da intensa produção de imagens por grupos indígenas e de iniciativas formais e não-formais de processos audiovisuais e se a fabricação dessas imagens é um modo consistente de combate à permanente ameaça de desaparição dos mesmos povos. A proposta é refletir sobre o exercício da docência a partir da produção de imagens que participam de processos de subjetivação política vinculados a movimentos sociais e históricos e como formar professores atentos às experiências de mediação entre mundos tão díspares.

 A mesa “Podem as imagens matar/salvar?”, no mesmo dia, procura seguir a provocação da filósofa Marie-José Mondzain, segundo a qual é preciso “interrogar-nos sobre a violência da imagem e a imagem da violência antes de qualquer reflexão sobre o que é uma imagem”. Assim, caberia perguntar: o que podem as imagens ao afetar o real? Quais são seus poderes para matar, salvar, educar, transformar?

 Os avanços entre o cinema e a educação serão abordados no domingo, 25 de junho, com um encontro que se propõe a aprofundar a reflexão sobre o percurso das ações de regulamentação da Lei 13.006/14, cujo texto foi entregue em maio 2016 ao Conselho Nacional de Educação, por membros da comissão CINEMA=ESCOLA. A Lei obriga a exibição de duas horas de cinema nacional por mês nas escolas de educação básica. O processo de implementação da Lei 13.006 aconteceu simultaneamente a dois movimentos de significativa importância no país: o acordo MEC-MINC para o próximo biênio e a definição da Base Nacional Curricular Comum.

 “A educação em tempos de produção de imagens ameríndias” propõe um diálogo com o grave momento atual, que pretende apagar os direitos dos povos indígenas à sua terra e às suas formas de viver. O desenvolvimento de políticas afirmativas, de sistemas educativos e a multiplicação de iniciativas de produção audiovisual dos povos ameríndios se convergem numa estratégia de conscientização e reconhecimento que muda o olhar da história, altera o presente e nos projeta de um outro modo para o convívio futuro.

 A temática contará, ainda, com o debate “Emergência ameríndias” na segunda, 26 de junho, que mostrará a produção de imagens no mundo contemporâneo como forma de resistir ao apagamento e à opressão. A mesa partirá do filme “Martírio”, de Vincent Carelli, que mostra uma outra história do Brasil, oculta, esmagada, que emerge com as formas de vida dos povos que resistem física e simbolicamente às tentativas de supressão pelos poderes, pelo Estado, pelo capital.