Em abertura oficial nesta quinta, CineOP homenageia Cristina Amaral, Antônio Leão e Vídeo nas Aldeias e exibe filme sobre Alice Gonzaga

Chegando à sua 12a edição, a CineOP – Mostra de Cinema de Ouro Preto realiza nesta quinta-feira, às 20h, a sua cerimônia de abertura, no Cine Vila Rica, bem no centro histórico da cidade mineira. Único evento audiovisual do Brasil a se dedicar à tríade História, Patrimônio e Educação, a CineOP reúne pesquisadores, críticos, jornalistas, professores, estudantes e interessados em conhecer o cenário de filmes brasileiros a partir das três perspectivas propostas.

O filme de abertura será o documentário Desarquivando Alice Gonzaga, dirigido por Betse de Paula e dedicado à herdeira do estúdio Cinédia, fundado por Adhemar Gonzaga na década de 1930. Antes da sessão haverá performance audiovisual voltada ao tema central do evento, “Quem conta a história no cinema brasileiro? Olhares e identidades no cinema brasileiro”. Com direção de Chico de Paula e Grazi Medrado e apresentação de David Maurity, a cerimônia vai ter trilha sonora ao vivo executada por André Geraldo e participações de Avelin Buniacá Kambiwá, Banda Bom Senhor Jesus do Matozinhos e do Coletivo Negras Autoras.

Durante a abertura, serão feitas as homenagens da CineOP deste ano a nomes e projetos essenciais no desenvolvimento e na conservação do audiovisual brasileiro. Pela Temática Histórica, o tributo será à montadora Cristina Amaral, parceira de nomes como Carlos Reichenbach, Andrea Tonacci, Carlos Adriano e Edgard Navarro na feitura de grandes filmes dos últimos 40 anos. Na Temática Preservação, a mostra celebra a trajetória do pesquisador Antônio Leão da Silva Neto, colecionador e preservador, além de autor dos livros Astros e Estrelas do Cinema Brasileiro: Dicionário de Atrizes e Atores, Dicionário de Filmes Brasileiros (longas, curtas e médias-metragens) e Dicionário de Fotógrafos do Cinema Brasileiro. Por fim, na Temática Educação, a homenagem será ao Vídeo nas Aldeias, que completou 30 anos em 2016 e é precursor na produção audiovisual indígena no Brasil, sempre apoiando as lutas dos povos para fortalecer suas identidades e patrimônios territoriais e culturais através da expressão fílmica.

Toda a programação da mostra é gratuita e vai ocupar o Cine Vila-Rica, a Praça Tiradentes (com o Cine BNDES na Praça) e o Centro de Artes e Convenções. Neste ano, serão exibidos 76 filmes, com 13 longas, 4 médias e 59 curtas-metragens de 11 estados (RJ, SP, PE, RS, AC, MG, ES, DF, AM, PR, GO) e 2 países (Brasil e Cuba), distribuídos nas mostras Contemporânea, Preservação, Histórica, Educação, Mostrinha e Cine-Escola. Nos debates, o Encontro da Educação: IX Fórum da Rede Kino e o Encontro Nacional de Arquivos e Acervos Audiovisuais Brasileiros contam com diversas mesas de discussão, reunindo especialistas para as dezenas de questões que se apresentam anualmente a partir da temática proposta.

Entre os filmes programados, com curadoria de Francis Vogner dos Reis e Lila Foster (longas, médias e curtas), estão títulos do passado que se conectam com questões do presente e trabalhos contemporâneos que dialogam com a preocupação da CineOP relativa a arquivos, patrimônio e estética. Entre os filmes estão Pitanga, de Camila Pitanga e Beto Brant; pré-estreia nacional do Rosemberg – Cinema, Colagem e Afetos, de Cavi Borges e Christian Caselli; e Vinte Anos, de Alice de Andrade. No encerramento da mostra, dia 26, haverá a exibição de No Intenso Agora, mais recente e premiado longa de João Moreira Salles. Os recortes das sessões de curtas-metragens buscam diálogos com a História sem abandonar a reinvenção e o arrojo expressivo. Os trabalhos apresentados incluem filmes em lançamento e também produções mais antigas e ainda relevantes, como A Entrevista, de Helena Solberg, Mato Eles?, de Sérgio Bianchi, Rosa Rosae, de Rosa Maria Antuña, e Kuarup, de Heinz Forthmann.

A Temática Educação discute as “Emergências Ameríndias”. A curadoria de Adriana Fresquet buscou o movimento duplo de se posicionar lado a lado com as populações indígenas que vêm sendo exterminadas pelo Estado brasileiro e pelo agronegócio e, ao mesmo tempo, possibilitar a conexão a uma produção subjetiva – com modos distintos de ver, ouvir e falar sobre o mundo – que ascendeu nos últimos anos com as novas tecnologias e o acesso mais democratizado.

Por sua vez, a Temática Preservação, com curadoria de Inês Aisengart e José Quental, contará com o 12º Encontro Nacional de Arquivos em dois eixos de discussões: a preservação do patrimônio audiovisual digital sob a ótica das mudanças tecnológicas e a apresentação do Plano Nacional de Preservação. Os participantes pretendem investigar onde estão armazenados e como acessar os primeiros títulos brasileiros captados exclusivamente em digital, assim como suas campanhas de mídia e a produção crítica em sites e blogs e como conservá-lo. Também em questão ficam os recentes registros amadores e de mídia de ativistas de ocupação das escolas em todo o Brasil, ainda pouco pensados em termos de patrimônio audiovisual. A Preservação promove ainda sessão especial de É um Caso de Polícia!, clássico da comédia de 1959, dirigido por Carla Civelli e há décadas fora de circulação.

A CineOP também é espaço de versatilidade artística, com festas e apresentação de coletivos de marcante trajetória no cenário cultural mineiro, como a Alta Fidelidade, Lá Da Favelinha, Não Recomendados, Orquestra Atípica de Lhamas, Toda Deseo e blocos carnavalescos de Belo Horizonte, além de representantes da tradição ouro-pretana, como o Bloco Zé Pereira dos Lacaicos, a Guarda de Congo Nossa Senhora do Rosário e Pastorinhas e a Folia de Reis do Padre Faria. A curadoria artística da programação, concentrada no Sesc Cine-Lounge Show, no Centro de Convenções, foi desenvolvida pela equipe do Sesc, dando continuidade à parceria cultural iniciativa com a Universo Produção durante a Mostra de Cinema de Tiradentes, em janeiro. A programação é inteiramente gratuita, com retirada de senhas para os shows no local diariamente a partir das 22h.

Para a primeira noite de atrações, no dia 22 (quinta-feira), a festa terá como tema Sangue Latino e participação do músico Javier Galiando e seus ritmos, como cumbia, timba, salsa, rock espanhol e latin jazz; a Orquesta Atípica de Lhamas, grupo de Belo Horizonte comandado pela argentina Milagros; e a banda Unión Latina, com 12 músicos de diferentes nacionalidades.