Preservação

EMERGENCIAS DIGITAIS

Na 12ª edição da CineOP,  a temática preservação irá enfocar a preservação do patrimônio audiovisual digital e colocar em debate o Plano Nacional de Preservação Audiovisual. Sob o título de Emergências Digitais, as discussões propostas buscam dar conta do profundo processo de transformação da cadeia audiovisual com o advento das tecnologias digitais.

Se por um lado este será o ano de tornar público o Plano Nacional de Preservação Audiovisual, com a expectativa que sua força gere boas reflexões e que ele possa ser um instrumento para o planejamento e gestão de políticas públicas para o setor, por outro lado desejamos que o Encontro Nacional de Arquivos e Acervos Audiovisuais Brasileiros seja um espaço para aprofundar as discussões sobre a preservação digital (tanto dos conteúdos originados digitalmente como dos conteúdos digitalizados) que entendemos urgente.

 Hoje as cinematecas, arquivos e museus têm que lidar com um grande volume de obras, filmes e documentos digitais – tanto digitalizados, quanto nativo digitais. Os desafios desta tecnologia são muitos e exigem novas formas de atuação, de conhecimento e de competências por parte dos indivíduos e das instituições responsáveis pela proteção deste patrimônio.

 Na chamada era digital é preciso lidar com bits, pixels, hardwares e softwares, e todas as formas de obsolescência e mudanças que acompanham estas novas tecnologias. Uma premência que está distante da maior parte dos arquivos do país. A preservação audiovisual digital é um tema frágil e urgente, que exige uma maior reflexão no que toca o campo da preservação do patrimônio audiovisual..

 Os debates propostos vão girar em torno de cinco principais temas, a saber: preservação audiovisual digital; documentos correlatos e valorização de coleções; a experiência latino-americana; midiativismo e por fim, jogos eletrônicos, mídia arte e cinema expandido.

 Vários profissionais estarão no centro dos debates do Encontro Nacional de Arquivos e Acervos Audiovisuais Brasileiros que promoverá também as reuniões de trabalho e Assembléia Geral da Associação Brasileira de Preservação Audiovisual (ABPA) e os diálogos da preservação com a participação de representantes da cadeia do audiovisual para um debate amplo que possa gerar uma soma de esforços entre o setor, governos e a sociedade em torno do Plano Nacional de Preservação.

 Os debates propostos buscam dar conta do profundo processo de transformação da cadeia audiovisual e seus impactos em nosso setor. Embora por vezes tenhamos a sensação de estarmos paralisados ou ainda submersos por esse tsunami digital, se buscarmos com atenção, se olharmos com cuidado para os lados, para o que vêm sendo feito em diferentes pontos do país e da América Latina, podemos encontrar avanços e experiências bastante interessantes que buscam lidar com os desafios da preservação digital.

Isso não quer dizer que nosso patrimônio audiovisual armazenado em suportes digitais esteja, necessariamente, protegido. Ao contrário, os desafios seguem sendo enormes, e o risco de desaparecimento de grande parte deste patrimônio é permanente. Como enfrentar a obsolescência programada de hardwares e softwares e garantir a constante migração de conteúdos? Ainda podemos acessar os primeiros títulos brasileiros captados exclusivamente em digital? A troca de experiências e informações é essencial para o desenho de práticas para a preservação e estratégias de acesso digital.  

 Neste sentido, além de reunir profissionais brasileiros, membros da ABPA, a 12ª CineOP convida três profissionais internacionais para compartilhar experiências e ampliar a troca de conhecimentos gerando oportunidade de trocas e encontros, a saber:

Carlos Ovando, responsável pela unidade técnica de restauração fílmica da Cinemateca do Chile.

Andrés Levinson, historiador, professor e coordenador da pesquisa do Museo del Cine Pablo Ducrós Hicken de Buenos Aires, e membro da Archivo Regional de Cine Amateur (A.R.C.A), dedicado à preservação, pesquisa e disseminação de material audiovisual não-profissional. Lembramos que foi no Museo del Cine onde foi encontrado uma cópia de de “Metropolis” (Fritz Lang, 1927), que deu origem à última restauração deste clássico do cinema alemão em 2010.

Tzutzumatzin Soto, chefe do Departamento de Acervo Videográfico e Iconográfico da Cineteca Nacional do México. Entre outras atividades, Soto é responsável pela Videoteca Digital “Carlos Monsiváis”, que disponibiliza mais de sete mil filmes para consulta, provenientes de DVD, VHS, Blu-ray, etc. Além disso, seu departamento é responsável pela conservação de materiais nativo digitais na Cineteca.

Inês Aisengart e José Quental
Curadores da Temática Preservação